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Carta dos portadores de mercurialismo ao secretário de Saúde

Veja os as informações da carta. 

São Paulo, 26 de Novembro de 2010

Ilmo. Sr. Dr. Nilson Ferraz Pascoa

DD. Secretário de Saúde do Estado de São Paulo

Av. Dr.Enéas de Carvalho Aguiar, 188

REF: Saúde do Trabalhador exposto a Mercúrio Metálico

C/C.:

  • Dr. Francisco Drumond, Coordenador da área de Saúde do Trabalhador do GTAE-Grupo Técnico de Ações Estratégicas da SES-SP
  • Dra. Clélia Bauer, Coordenadora do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador do Estado de São Paulo (CEREST) da SES-SP
  • Dra. Maria Cristina Megid, Diretora do Centro de Vigilância Sanitária da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP
  • Sra. Irene Batista de Paula, Coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde do Trabalhador do Conselho Estadual de Saúde de São Paulo (CIST/CES-SP)
  • Dr. Roberto Pinto Ribeiro, Promotor do Ministério Público do Trabalho de São Bernardo do Campo – Rua Sargaços, nº 135, Jardim do Mar, em São Bernardo SP
  • Dra. Cecília Zavariz Coordenadora do Programa Nacional do mercúrio Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de SP
  • Dra. Gisele mussi, Coordenador do (Serviço de Saúde Ocupacional ) SSO- HC –USP
  • Dr Vanderlei Luis P, Coordenadora do CRST ( Centro de Referencia de Saúde do Trabalhador) de Mauá SP

Senhor Secretário

Nós, da AEIMM (Associação dos Expostos e Intoxicados por Mercúrio Metálico), em reunião realizada no dia 26 de novembro de 2010, vimos pela presente carta solicitar a V.Sa. providências no sentido de desenvolver ações, no âmbito do SUS-Sistema Único de Saúde, para a “promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como a recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos do mercurialismo ocupacional, conforme preconizado pela Lei 8080/90 (§ 3º do Art.6 º).

Nesse sentido, solicitamos especial atenção de V.Sa. para manter e viabilizar o atendimento multiprofissional envolvendo:

I-O diagnóstico clínico-ocupacional, exames especializados de funções de sistema nervoso central (teste neuropsicológicos, ressonância magnética de crânio, exame oftalmológico e campo visual, SPECT, BERA, exames psiquiátricos e neurológicos), funções de sistema endócrino (dosagens de hormônios de tireóide, glicemia, etc.) , função renal (Urina tipo 1, uréia, creatinina, dosagem de proteína no soro e proteinuria de 24 horas), função hepática (TGO, TGP, GAMA GT, NAG, PORFIRINURIA) e função imunológica (imunoglobulinas, IgA, IgM, IgG, IgE).


A- companhamento psiquiátrico com tratamento medicamentoso (antidepressivos, antiansiolíticos, etc.) e psicoterapia individual ou de grupo.
B- Acompanhamento para problemas das doenças secundárias ao mercurialismo, como: Hipertensão Arterial, Tireoideopatia e Doenças Neuromusculares.
C- Tratamento com anti-oxidantes e eventualmente Intoxicação aguda com quelantes.


Técnicas de reabilitação de danos neuro-cognitivos (memória e coordenação psicomotora).

II – Além disso solicitamos da direção do SUS :

A- O reconhecimento e divulgação do protocolo de assistência à saúde dos trabalhadores expostos e/ou contaminados por mercúrio metálico existente no SSO/HCFMUSP, para orientação da rede SUS/INSS.
B- A vigilância à saúde dos trabalhadores que ainda estão no processo de desmontagem das máquinas da empresa Philips, que, em julho passado, demitiu aproximadamente 480 trabalhadores, muitos deles contaminados por mercúrio metálico. E também vigilância ambiental das áreas contaminadas por mercúrio metálico resultante de processos de produção de bens e serviços que utilizam esse metal pesado no estado de São Paulo (fábricas de lâmpadas, termômetros, cloro-soda, etc).
C- Transporte especial gratuito para que os trabalhadores e ex-trabalhadores contaminados por mercúrio metálico e/ou com sequelas possam tomar ônibus, trens e metro para suas consultas e exames dos indivíduos diagnosticados no CID 10, como T56.1, ampliando do F06 para os demais CIDs relacionados com a síndrome neuropsiquiátrica do mercurialismo (F06, F07 e F32).

III – Sugestão de criação de uma comissão formada por técnicos do SUS e do INSS, visando a adoção de critérios adequados relacionados aos benefícios acidentários dos trabalhadores com mercurialismo.

Agradecemos antecipadamente a atenção de V.Sa. e nos colocamos à disposição para quaisquer informações complementares

Valdivino Santos Rocha
Presidente da AEIMM

Data: 6 de dezembro de 2010

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A A.E.I.M.M. é uma entidade social, cultural e beneficente que tem como objetivo obtenção da melhoria das condições de saúde e de vida dos trabalhadores com mercuríalismo, doença decorrente da exposição e intoxicação pelo mercúrio (Hg).

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