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Trabalhadores expostos ao mercúrio e suas implicações na saúde

Veja a notícia completa.
O que é o mercúrio?
Mercúrio é um metal líquido à temperatura ambiente, conhecido desde os tempos da Grécia Antiga. Ele é um obtido através da ustulação(consiste em aquecer um sulfeto na presença de gás oxigênio) de sulfetos e outros minerais. Seu símbolo químico é “Hg” e como todos os símbolos químicos, vem do latim "hydrargyrum", que significa prata líquida.
O mercúrio é um dos seis elementos que se apresentam líquidos à temperatura ambiente ou a temperaturas próximas. Normalmente é utilizado em instrumentos de medidas (termômetros e barômetros), lâmpadas fluorescentes e como catalisador em reações químicas.
 
Qual a utilização do mercúrio?
O cloreto de mercúrio é utilizado como medicamento tópico para úlceras cutâneas e como antiséptico. É empregado também na composição de agrotóxicos, tintas para cerâmica e fogos de artifício. Utiliza-se mercúrio no curtimento do couro e como fungicida no tratamento de sementes e brilhos vegetais e na proteção da madeira. Ele também é utilizado em garimpos, em antigas fábricas de cloro e soda (como catalisador em alguns processos químicos) e em pilhas de óxido de mercúrio.
 
Quais as consequências da exposição ao mercúrio para os trabalhadores?
O trabalhador que lida com o mercúrio metálico é o mais exposto aos vapores invisíveis desprendidos pelo produto. Eles são aspirados sem que a pessoa perceba e entra no organismo através do sangue, instalando-se nos órgãos. Geralmente quem foi intoxicado dessa maneira pode apresentar sintomas como dor de estomago, diarréia, tremores, depressão, ansiedade, gosto de metal na boca, dentes moles com inflamação e sangramento nas gengivas, insônia, falhas de memória e fraqueza muscular, nervosismo, mudanças de humor, agressividade, dificuldade de prestar atenção e até demência. Mas a contaminação por mercúrio pode também acontecer por ingestão. O mercúrio, assim como outros metais pesados, são neurotóxicos e por isso causam muitos distúrbios neurológicos, demência e até mesmo a morte.
Não há evidências do mercúrio e compostos de mercúrio no homem. Ao nível de experiências em animais, não está provado que o mercúrio metálico origine cancro, mas existem evidências suficientes em termos de carcinogenicidade do cloreto de metilmercúrio. Os compostos de metilmercúrio são possivelmente carcinogénicos em humanos, ao contrário do mercúrio metálico e dos compostos de mercúrio inorgânico, que não são classificados como carcinogénicos.
 
O mercúrio usado na produção de amálgamas em consultórios odontológicos pode acarretar algum risco?
A amálgama dentária é constituída por uma mistura de metais geralmente nas proporções de 50% de mercúrio metálico, 35% de prata, 9% estanho, 6% de cobre e vestígios de zinco. Deste modo, é inserida nos dentes para cobrir os espaços vazios resultantes de cáries e adquire uma estrutura sólida em 30 minutos. Neste caso, a exposição ao mercúrio deve-se à libertação de pequenas partículas da amálgama por processos vulgares como a corrosão, a mastigação e a fragmentação. Esse mercúrio vai ser então inalado como vapor de mercúrio ou deglutido dissolvido na saliva. Contudo, não foi provado qualquer efeito adverso para a saúde que provenha das amálgamas, encontrando-se apenas casos raros de alergia.
 
Quais os sintomas de intoxicação por mercúrio?
Os sinais e sintomas de intoxicação pelo mercúrio variam de acordo com os órgãos afetados e com o nível de exposição, podendo ser aguda e crônica.
 
  • Sistema Nervoso Central:
O S.N.C é muito susceptível a todas as formas de mercúrio. O metilmercúrio e os seus vapores encontram-se em maiores concentrações no cérebro, exercendo aí a sua maior toxicidade.
  • Sistema Renal:
Como o mercúrio se concentra nos rins e uma das suas vias de eliminação é a urinária, uma intoxicação com mercúrio pode levar a necrose tubular e insuficiência renal grave.
 
  • Sistema Cardiovascular:
Foi demonstrado que a ingestão aumentada de peixes contaminados com mercúrio está relacionada, a longo prazo, à maior incidência de morte por enfarte de miocárdio, doença coronária e outras doenças cardiovasculares. No entanto, os efeitos agudos sobre o aparelho cardiovascular de seres humanos são praticamente desconhecidos.
 
  • Nível Cutâneo:
Foram descritas diversas formas de reações de mercúrio na pele. Alguns exemplos são a hiperpigmentação mucocutânea resultada da absorção crónica; os granulomas que podem-se desenvolver por injecção de mercúrio directamente na pele; dermatite por alergia de contacto, que é a forma mais comum de reacção cutânea e pode ocorrer tanto por exposição tópica como sistémica; acrodinia (doença rósea) representa uma reacção alérgica do composto em questão no organismo e que é caracterizada por inchaço, rubor, palma das mão e planta dos pés rosadas. Esta resulta da exposição ao mercúrio, vapor ou orgânico, por absorção dérmica. Embora seja uma doença de todas as idades, é muito frequente em crianças, sendo raramente descrita em jovens e adultos.
 
Quais os sintomas mais frenquentes na intoxicação aguda?
São eles: aspecto cinza escuro na boca e faringe; dor intensa; vômitos (podem ser até sanguinolentos); sangramento nas gengivas; sabor metálico na boca; ardência no aparelho digestivo; diarréia grave ou sanguinolenta; inflamação na boca (estomatite); queda dos dentes e ou dentes frouxos; glossite; tumefação da mucosa da gengiva; nefrose nos rins; problemas hepáticos graves, podendo causar até morte rápida (1 ou 2 dias).
 
Quais os sintomas mais frenquentes na intoxicação crônica?
São eles: transtornos digestivos; transtornos nervosos; caquexia; estomatite; salivação; mau hálito; inapetência; anemia; hipertensão; afrouxamento dos dentes; problemas no sistema nervoso central; transtornos renais leves; neuropatias; ataxia; disartria; possibilidade de alteração cromossômica.
 
Como é feito o diagnóstico de intoxicação?
Através de uma avaliação laboratorial da toxicidade do mercúrio, que deve incluir uma análise completa do sangue, electrólitos do soro, função renal e urina. Basta os testes da função renal e a análise à urina (com elevados valores de creatinina e proteinúria) apresentarem valores anormais para indicar possível toxicidade provocada por Hg (mercúrio).
Contudo, outros estudos laboratoriais podem ser importantes para diferenciar etiologias da intoxicação. Por exemplo, no caso da ingestão de mercúrio inorgânico, pode-se detectar Hg por análise sanguínea, uma vez que pode levar a hemorragia e perfuração no tracto gastro-intestinal. Radiografias apropriadas podem detectar uma recente exposição ao Hg, uma vez que este é radiopaco:
  • Radiografias abdominais podem indicar Hg no tracto GI;
  • Radiografias ao peito podem indicar a presença de Hg inalado; ou Hg sequestrado no coração e nos pulmões, no caso de injecção intravenosa de Hg.
  • Por radiografias também é possível detectar Hg injectado subcutaneamente (superficial).
Para além dos meros resultados detectados, tanto por análise à urina como ao sangue, a interpretação dos níveis de Hg no organismo deve ser global, e como tal tem que ter em conta quer o tipo, quer a duração de exposição ao metal.
Tanto na análise do sangue como da urina de 24 horas, é possível detectar uma exposição ao Hg inorgânico e elementar:
  • Os ensaios ao sangue podem detectar exposições recentes;
  • A concentração de Hg numa urina de 24h podem reflectir tanto exposições recentes como eliminações renais continuadas de cargas tecidulares acumuladas.
Em casos de emergência, faz-se análise a uma coleta única de urina, contudo não dispensar a coleta de urina de 24h que deve ser avaliada o mais rapidamente possível.
 
Como é conduzido o tratamento de intoxicaçao por Mercúrio?
O tratamento de uma intoxicação por este metal deve ter como objectivo a diminuição da sua concentração no órgão crítico ou local da lesão e pode ser feita por:
Descontaminação gastro-intestinal (GI):
Deve ser usada para casos em que houve recente ingestão aguda de mercúrio orgânico e inorgânico, para diminuir ao máximo a sua absorção e os seus potenciais efeitos tóxicos. Normalmente o risco é reduzido, à excepção de casos em que pode haver corrosão por Hg inorgânico e no caso de potencial risco de perfuração.
Também se pode fazer lavagem com leite e clara de ovo, introduzidos por um tubo orogástrico ou nasogástrico, pois são ricos em grupos sulfidrilo, podendo ser adequados às formas liquida e de pó de mercúrio. Por vezes também se faz irrigação do intestino com polietilenoglicol no caso de uma significativa ingestão de Hg. O processo pode ser acompanhado por exames radiográficos abdominais.
No caso de ingestão de Hg elementar, a descontaminação não é necessária porque não consegue ser absorvido para a circulação sanguínea por tracto GI normal.
O Hg injectado subcutaneamente deve ser removido cirurgicamente para evitar a absorção sistémica.
Quelatação (com hemodiálise em certos casos):
Terapia quelante é a introdução de origem natural ou sintética em produtos químicos orgânicos do corpo humano, a fim de facilitar as reações químicas, o que conduzirá à descarga de metais tóxicos a partir do corpo e da reorganização dos metais essenciais no organismo para a promoção da vida de reações químicas. Dimercaptol (BAL) e d-penicilamina foram dos primeiros agentes quelantes, mas surgiram ultimamente os derivados hidrossolúveis do dimercaptol, ácido meso-2,3-dimercaptosuccínico (DMSA) e ácido 2,3-dimercaptopropano-1-sulfónico (DMPS) que são mais efectivos. Estes são os agentes quelantes escolhidos para todas as formas de Hg em doentes com função renal normal.Para os casos mais graves, particularmente com insuficiência renal aguda, a hemodiálise pode ser uma primeira medida juntamente com a infusão de agentes quelantes para o Hg, tal como a cisteína; a penicilamina ou BAL (dimercaptol).
Novas pesquisas sugerem que a remoção de metais pesados através de quelante pode tratar e / ou prevenir muitas doenças graves, incluindo pancreatite, gota, reumatóide e osteoartrite, fadiga crônica, intestino irritável, a doença de Alzheimer, a esclerose múltipla e até mesmo câncer.
 
Como o metal interfere no meio ambiente?
A contaminação pode acontecer pelo lançamento do metal pesado em ecossistemas aquáticos naturais, o grande problema é que esses metais não podem ser destruídos e são altamente reativos. Uma vez que presentes como poluentes de rios, lagos ou mares, ficam impossíveis eliminá-los do meio.
 
Quais os procedimentos que levam a contaminação do meio ambiente por Mercúrio?
O descarte incorreto de telefones celulares pode comprometer o meio ambiente, já que o mercúrio está presente no visor desses aparelhos. As indústrias que utilizam o mercúrio em seus processos podem deixá-lo vazar (propositalmente ou acidentalmente) nos cursos d’água. As grandes responsáveis por acidentes com metais pesados são as metalúrgicas, as indústrias de tintas e de plásticos PVC. 
Os incineradores de lixo urbano produzem fumaça rica em mercúrio, cádmio e chumbo, esses se volatilizam e lançam metal pesado a longas distâncias. 
Quais são as providencias no caso de acidentes com o mercúrio?
Em caso de derrame de Hg, o metal deve ser imediatamente recolhido, quer através de aspiração, quer com produtos de congelação (gelo seco) ou de amalgamação. Por exemplo, se partir um termómetro (de mercúrio) deve-se retirar as crianças do local. Limpar a gota de mercúrio, envolvendo-a numa folha de papel ou “retirá-la” com um conta-gotas. Depois de se retirar o mercúrio deve-se colocá-lo em recipiente estanque, assim como o papel ou o conta-gotas. Deve-se ventilar o local contaminado, utilizando ventiladores por um mínimo de 1 hora para apressar a ventilação. Se derramar grandes quantidades, deve-se abandonar a área e comunicar aos bombeiros.
   
Quais são as medidas de prevenção que podemos adotar com relação à intoxicação por mercúrio?  
No momento não há medidas propriamente definidas. Os ministros do meio ambiente de todos os países da Organização das Nações Unidas (ONU) decidiram proibir a utilização do mercúrio. A ONU tem por objetivo publicar um decreto que oficialize o banimento global do metal.
No Brasil, a luta pela eliminação do mercúrio vem sendo liderada pelo Programa Nacional de Mercúrio, coordenado pela auditora fiscal da SRTE/SP, tendo como foco a interdição de equipamentos obsoletos e exigindo melhorias em recicladoras de lâmpadas fluorescentes e vários estabelecimentos como pronto-socorro, pronto-atendimento, unidades de análises laboratoriais, incentivando-as a substituir integralmente seus aparelhos por outros livres deste metal tóxico.
No entanto, se é mesmo necessário o uso de mercúrio deve-se assegurar de que está bem guardado em recipiente.  Deve-se mantê-lo num espaço seguro de modo a que outras pessoas não o possam alcançar facilmente. O uso do mercúrio num meio ambiente controlado ajuda a reduzir o risco de contaminação.
Assim, os locais de trabalho e de armazenagem de Hg devem ter o chão e as paredes em material liso e impermeável, sem fissuras ou juntas porosas, com cantos arredondados e bordos elevados. Além disso, devem ter uma pequena inclinação que conduza a um rêgo com alçapão de escoamento. Deve ser previsto um sistema de aspiração dos vapores e poeiras de mercúrio na sua fonte. Ao trabalhar com mercúrio recomenda-se o uso de luvas com canhão comprido e fato-macaco sem bolsos nem dobras.
Fonte: http://worksafety.blogspot.com.br/2011/08/trabalhadores-expostos-ao-mercurio-e.html
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A A.E.I.M.M. é uma entidade social, cultural e beneficente que tem como objetivo obtenção da melhoria das condições de saúde e de vida dos trabalhadores com mercuríalismo, doença decorrente da exposição e intoxicação pelo mercúrio (Hg).

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