ficha-de-inscrição.jpeg

Síndromes Neuropsiquiátricas e Secundárias ao Mercurialismo Ocupacional Metálico Crônico: Protocolo de Atendimento no SSO/HCFMUSP

Veja a notícia completa.

I. Mercurialismo Metálico Crônico-A intoxicação por mercúrio elementar (Hg0) é uma doença persistente e incapacitante que altera o funcionamento do sistema nervoso central (SNC) e de outros órgãos. O Hg é um potente neurotóxico que determina aptose dos neurônios e lesa também outras células do encéfalo permanecendo depositado nos lissomas de várias estruturas do telencéfalo (córtex, hipocampo, núcleos da base), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), mesencéfalo, metaencéfalo ( ponte e cerebelo), plexo coroides, epidídimo e parede dos vasos .Berlin1964, Cassano et al 1969, Takahata 1970 ,Placidi et al 1983, Warfvinge 1985, WHO1991, Moller- Madson1992,Clarkson & Magos 2006.

O Hg elementar e seus compostos determinam efeitos citotóxicos alterando o metabolismo de várias proteínas e enzimas e induzem a produção de radicais livres .Kark 1994,Kobal et al 2004,Clarkson & Magos 2006,Rooney 2007 . O Hg provoca também alterações persistentes imunológicas e neuroendócrinas. Estudos anatomopatológicos em indivíduos que apresentaram a intoxicação mostram que o mercúrio na forma iônica Hg2 permanece depositado nos neurônios de diversas estruturas do SNC por toda vida. Opitz et al 1996, Hargreaves et al 1988. A gravidade dos seus efeitos sobre a saúde aumenta quando ocorre alta exposição ambiental e na presença de suscetibilidade individual. WHO1991, Kark 1994,WHO2003.

A intoxicação crônica em decorrência à alta exposição aos vapores de Hg, mercúrio elementar, foi melhor descrita em países desenvolvidos, até a metade do século XX, em trabalhadores expostos aos ambientes insalubres de trabalho. Neal & Jones1938. Nestes países foram implantadas medidas rigorosas de prevenção à exposição ocupacional e, como conseqüência, as investigações sobre os efeitos do Hg passaram a ser realizadas apenas em populações com baixa exposição e em estudos ecológicos e experimentais. Echeverria 1995, Lucchini et al 2002 Lucchini et al 2003. A escassa tecnologia médica, no período de maior publicação destes estudos, fez com que muitos aspectos clínicos e fisiopatológicos do mercurialismo metálico não fossem abordados e continuassem ignorados.

Em outros países, poucos estudos e publicações tem sido realizadas embora o metal continue

sendo usado em larga escala e sem controle adequado nos processos de trabalho urbano-industriais como produção de lâmpadas, cloro-alcalis, equipamentos de mensuração e em serviços de saúde, particularmente em gabinetes odontológicos. Zavariz & Glina 1993, Faria 2003, Zachi et al 2007, Zachi et al 2008, Kim et al 2010.

A partir da segunda metade do século XX, numerosas investigações sobre o mercurialismo orgânico foram desenvolvidas na baia de Minamata no Japão, onde ocorreu situação epidêmica após elevado consumo de peixes e pescados contaminados pelo metilmercúrio proveniente de uma indústria de cloroalcalis. Estes estudos têm caracterizado as manifestações clínicas da intoxicação e destacado os exames mais adequados de avaliação de danos do SNC. Além disto, possibilitaram observar alterações anatomopatológicas e da reprodução humana decorrente do mercurialismo orgânico. Eto 1978, Harada M.1995, Eto 2000, Bertossi et al 2004, Ekino et al 2007, Laks 2010.

As intoxicações determinadas pelos dois tipos de Hg - orgânico e inorgânico- são semelhantes porque determinam danos ao SNC, efeitos patológicos de longo prazo e síndromes neurológicas e neuropsiquiátricas; contudo, ocorrem diferenças significativas importantes epidemiológicas, toxicológicas e clínicas. Takeuchi et al 1989, WHO 1991 ,Uchino et al 1995, Eto et al,1999, , Mendola et al 2002,WHO 2003 ,Faria (A) 2003, Sanfeliu et al 2007.

Os pacientes com mercurialismo metálico decorrente da exposição à vapores de Hg apresentam frequentemente uma síndrome neuropsiquiátrica persistente (SNPM), inicialmente chamada de eretismo, caracterizada por distúrbios psiquiátricos, cognitivos e neurológicos envolvendo a coordenação motora. WHO 1991, Bluhm et al 1992,O'Carroll 1995,WH0 2003, Faria 2003. A SNPM é frequentemente irreversível e incapacitante, caracterizando-se por mudança de personalidade e humor, irritabilidade, ansiedade, perda da auto-estima, depressão persistente, distúrbios acentuados da memória e do sono, cefaléia, dores e tremores dos membros e lábios. Os tremores e sangramentos de gengivas, frequentes no período da exposição, podem regredir com a evolução da doença. A ocorrência de manifestações psicóticas e síndromes epilépticas são observadas também em vários indivíduos. WHO 1991, Bluhm et al 1992,O'Carroll 1995 WH0 2003,Faria 2003, Rossini et al 2003. Os exames de SNC colaboram sobremaneira para a avaliação e seguimento dos pacientes com SNPM, como ocorre também com outra doença neurotoxicológica ocupacional, o mangânismo.Fitsanakis et al 2004,Shin et al 2007. Alguns pacientes com mercurialismo desenvolvem manifestações semelhantes às de síndromes neurológicas de caráter degenerativo como a Doença de Parkinson , esclerose múltipla e outras neuropatias. Brown 1964 , Ohlson & Hogstedt 1981,Adams et al 1983

A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o Hg como um dos dez elementos químicos

que mais ameaçam a saúde humana e o meio ambiente. Em 19 de setembro de 2013 a ONU celebrou acordo global para reduzir o uso do mercúrio, com a participação de 140 países membros. Segundo a ONU “a exposição excessiva ao mercúrio pode afetar o sistema imunológico do homem e, ainda, provocar distúrbios psicológicos e digestivos, além de problemas cardiovasculares e respiratórios... o Hg determina efeitos nocivos para as populações humanas e em diferentes espécies, constatados em estudos ecológicos”.

Os efeitos diretos citóxicos e indiretos sobre o eixo neuro-endócrino e sistema imunológico do Hg levam ao aparecimento de síndromes secundárias no curso da evolução da doença. Pelletier et al 1988, Bencko 1990, Barregard 1994, Marek &Wocka-Marek1994 Colosio et al 1999, WHO 2003, Faria 2003, Pranjić et al 2003, Stern 2005,Silbergeld et al 2005, Pigatto et al 2010, Laks 2010, Fernandes Azevedo et al 2011, Vassallo et al 2011.

Varios autores observaram o aumento de mortalidade por mercurialismo crônico entre trabalhadores e também em animais. Letz et al 2000, Via CS et al 2003, Kobal 2004.Além disso, o Hg é um poluente persistente e seus efeitos a longo prazo demandam pesquisas multidisciplinares que permitirão uma melhor compreensão do seu papel de “disruptor neuroendócrino “ e na reprodução humana. Ernst & Lauritsen 1991,Wirth & Mijal 2010.

O Serviço de Saúde Ocupacional (SSO) do Instituto Central do HC (ICHC) da FMUSP vinculado à disciplina Medicina Social e do Trabalho do Departamento de Medicina Legal (MLS) iniciou o Programa de Atendimento aos Pacientes com Mercurialismo (PAM) em 1997.

No período de novembro de 1997 a março de 2013 foram registrados 330 trabalhadores da região da Grande São Paulo com mercurialismo metálico ocupacional que apresentam alterações psico-orgânica ou síndrome neuro-psiquiátrica (SNPM). O acompanhamento dos casos confirma que os pacientes apresentam persistência ou progressão do quadro clínico neuropsiquiátrico e ocorrência de elevada freqüência de síndromes secundárias relacionadas a alterações do sistema endócrino, imunológico, renal e cardiovascular.

Na maioria dos pacientes matriculados, a alta exposição à vapores de Hg ocorreu em três grandes indústrias de produção de lâmpadas no fim da década de 1980 e início de 1990. Foram também atendidos trabalhadores de indústrias de cloroálcalis e de equipamentos médicos, servidores hospitalares e dentistas do setor de serviços e também alguns garimpeiros da mineração de ouro provenientes de outros estados.

As altas exposições aos vapores de Hg foram observadas no ambiente de trabalho e nos exames de Hg urinário (HgU), dos trabalhadores em fiscalizações realizadas pelos órgãos responsáveis pelo controle dos locais de trabalho do Estado de São Paulo. A maioria dos trabalhadores atendidos apresentaram resultados de valores de HgU acima de 25ug, 100ug e mesmo 300ug/l,

no período da exposição ocupacional. Segundo varias instituições os valores de Hg no ar não devem ultrapassara 0.05 mg/m3 (NIOSH) 0.025 (ACGIH). Os valores de HgU na população não exposta deve ser inferior a 5ug/l ou 5ug/creatinina (MTB , ATSDR ).Vale a pena destacar que o HgU é unicamente um importante indicador de exposição ambiental mas não é um indicador de doença.

II. Protocolo do Programa de Atendimento ao Mercurialismo Metálico Crônico (PAM) do SSO/HCFMUSP: Diagnóstico das síndromes e seguimento.

O protocolo para o diagnóstico do Mercurialismo Metálico Crônico baseia-se em uma abordagem clínico-epidemiológica, feita através da aplicação de um questionário padronizado e de exames especializados que visam caracterizar os efeitos da intoxicação no SNC e em outros órgãos e funções que podem estar comprometidas pela ação do mercúrio.

II.1A. Anamnese Clínico-ocupacional: Questionário padronizado constituído de uma parte com questões fechadas e outra com questões abertas. Estas dirigidas para obtenção de informações complementares fornecidas pelos pacientes ou dados institucionais (arquivo anexo).

Histórico da Exposição Ocupacional: Informações detalhadas sobre o histórico dos empregos e das ocupações dos trabalhadores obtidas por meio da carteira profissional e com a descrição de quando e como ocorriam as exposições ao Hg. Registros dos valores de HgU durante o período da exposição ocupacional e afastamentos da atividade laboral decorrente do mercurialismo.

O tempo de exposição ocupacional em atividades de exposição ao Hg é um indicador relevante tendo em vista que as empresas frequentemente não solicitam as medidas do mercúrio urinário durante a exposição ocupacional como prevê a legislação. Frequentemente, não são pedidos exames de HgU para trabalhadores de produção de lâmpadas incandescentes que trabalharam em locais com alto risco de exposição próximos da produção de lâmpadas fluorescentes.

No SSO/HC, leva-se também em consideração os dados de fiscalização dos ambientes de

trabalho realizados por órgãos públicos - Delegacia Regional do Trabalho, Centro de Referência da Saúde do Trabalhador, CETESB, assim como processos conduzidos pelo Ministério Publico. Estas informações da fiscalização são encontradas principalmente em empresas nas quais ocorreram altas contaminações ambientais e dos trabalhadores, sendo que nas industrias de lâmpadas e de cloroalcalis ocorreram no inicio da década de 1990.

História Clínica: Visa relacionar o aparecimento e evolução dos sintomas do mercurialismo ocorridos durante e após a exposição ao Hg. O interrogatório sistemático dos aparelhos para investigação: sintomas neuropsiquiátricos (nervosismo, ansiedade, mudança de comportamento e humor, desmaios, distúrbio de sono, tremores, cefaleia, dores generalizadas, etc); aparelho digestivo (sangramento da gengiva e amolecimento dos dentes, colites); aparelho respiratório (pneumonias no curso da exposição); processos alérgicos e doenças renais. Os antecedentes médicos devem levantar a ocorrência de doenças prévias psiquiátricas, neurológicas, hipertensivas, endócrinas, imunológicas e osteoarticulares e exames e diagnósticos realizados anteriores. Hábitos referidos de consumo de peixe, álcool e tabaco. Exame Físico: avaliação de alterações de equilíbrio, tremores e medida de pressão arterial.

II.1B. Exames de avaliação do SNC:

- Avaliação neuropsicológica: É realizada uma bateria de testes que visa detectar a presença e a intensidade de distúrbios cognitivos, de coordenação motora e da esfera mental. Baseando-se numa revisão da equipe do SSO de 30 estudos sobre aplicação de Testes Neuropsicológicos (TNP) no mercurialismo metálico ocupacional, são realizados os seguintes testes: Escala Wechsler de Inteligência para Adultos (WAISIII) e Escala de Inteligência Wechsler de Memória (WMS-R), Teste de Aprendizagem auditivo verbal (Rey), perfil dos estados de humor (POMS), inventário de depressão (BECK) e Gooved Pegboard. Os testes devem ser aplicados por psicólogos com formação em neurociências. Faria et al 2013

- Exames de órgãos dos sentidos: Realização do exame oftalmológico e de Campo Visual (CV). A restrição do CV tem sido observada em mais de 65% dos casos com diagnóstico de mercurialismo elementar e orgânico em estudos de Minamata.Uchino et

al 1995. As alterações na exposição ao mercúrio elementar têm sido objeto de estudo do SSO, em parceria com a equipe da profa. Dora Ventura do Instituto de Psicologia. Barboni et al 2008.

- Exames de imagem: Ressonância Magnética de Encéfalo (RME) que pode revelar imagens de atrofias cerebral, cerebelar, de tronco encefálico e também depósito de metais em núcleo de base, tálamo e cerebelo. A Ressonância Magnética de Hipófise justifica-se pela elevada deposição do Hg na hipófise, e a possibilidade de efeitos neuro-endocrinos. A Perfusão Cerebral (SPECT) pode mostrar distúrbios funcionais em áreas relacionadas à funções cognitivas. Kark 1994,O' Carroll et al1995, Taber&Hurley 2008, Benz et al 2010 .

- Avaliação Odontológica: Sangramento de gengiva e amolecimento dos dentes frequentes quando da exposição ao mercúrio podem persistir, demandando uma adequada assistência odontológica.

- Sintomas relacionados aos órgãos reprodutivos: a) Queixa de impotência sexual- Os pacientes são encaminhados para urologista e equipe de reprodução; b) Menopausa precoce. Constata-se a necessidade de um protocolo dirigido para investigação de aspectos relacionados à reprodução.

- Dosagem de HgU - A dosagem de HgU é realizado no Instituto Adolfo Lutz, usado apenas como um indicador de exposição ambiental atual. O HgU não é um critério de diagnóstico de doença porque o Hg se deposita nos tecidos e não permanece circulando e não continua sendo eliminado na urina como ocorre no período de exposição. Assim, o HgU torna-se negativo após cessada a exposição.

- Atendimento Psiquiátrico: O exame psiquiátrico de rotina,visando caracterizar os sintomas psiquiátricos que são frequentemente persistentes: quadros depressivos e ansiolíticos, epilépticos, psicóticos, síndrome do pânico e alterações cognitivas.

II.2 Exames para o diagnóstico de síndromes associadas à SNPM: São realizadas avaliações de funções renais (proteinúria, hematúria, uréia e creatinina); tireoidianas (T3,T4 livre, TSH, TPO) e parâmetros imunológicos (imunoglobulinas Ig, FAN); hepáticas (enzimas hepáticas). Exame de colesterol, triglicérides, proteínas

(proteínas totais e eletroforese ) e hematológicas.

Entre as alterações observa-se: nefrites, glomerulonefrites, síndromes alérgicas, baixa e também imunodeficiência IgA, baixa ou elevação IgG, hipertensão arterial de difícil controle, alterações neurovasculares e tireodiopatias. Os pacientes com tais manifestações são encaminhados para os respectivos especialistas.

Vários pacientes apresentam síndromes digestivas como colites ulcerativas. Danos hepáticos ocorrem com freqüência na ausência de alcoolismo e hepatite. Os trabalhadores de indústria de cloroálcalis que estão expostos aos vapores de Hg na unidade de célula eletrolítica, também podem se expor ao cloreto de vinila, um importante hepatotóxico, produzido em outra unidade vizinha.

Os pacientes frequentemente apresentam sintomas de dores generalizadas crônicas e articulares que, em muitos casos, além do mercurialismo podem estar associadas à lesão por esforços repetitivos (LER), comum na linha de montagem da produção de lâmpadas.

II.3.Tratamento

O tratamento da SNPM tem sido sintomático principalmente relacionado aos problemas psiquiátricos, neurológicos e dores. Em aproximadamente 95% dos casos os pacientes necessitam de seguimento psiquiátrico contínuo. O tratamento psiquiátrico medicamentoso é de longo prazo e envolve o uso de diferentes tipos de drogas dirigidas para as síndromes relacionadas a ansiedade, depressão, manifestações psicóticas, síndromes epilépticas e do pânico. Psicoterapias de indivíduos e de grupo têm sido usadas. O tratamento com analgésicos nos quadros de dores são comuns juntamente com fisioterapias.

O tratamento com quelante, para a remoção da carga de Hg depositado, não é aconselhável nesta forma crônica, na qual já ocorreu a deposição do Hg nas estruturas do SNC. Primeiro porque as drogas existentes mobilizam apenas o Hg depositado nos tecidos periféricos, como o rim, e segundo, porque se conhece pouco sobre quais são as possíveis consequências desta mobilização para as funções do SNC atingidas pela deposição do Hg. Rooney 2007,Sears 2013.

Vários pacientes fazem uso de antioxidantes como vitaminas e castanha do Pará. Solicitou-se um estudo de ensaio clínico baseado no tratamento com antioxidantes ao Ministério da Saúde em 2003, o qual não teve desdobramento.

Tendo em vista as várias síndromes associadas à SNPM, os paciente necessitam de tratamentos adicionais relacionados aos distúrbios cardiovasculares, tireoidianos, renais, gastrointestinais, alérgicos, imunológicos, etc.

II.4. Seguimento dos pacientes: O Hg determina síndromes crônicas e persistentes que demandam reavaliações sistemáticas do profissional da área da toxicologia clínica e de várias especialidades.

Consulta do 1º Retorno: Primeiro, a avaliação clínica baseada nos resultados dos exames e no seguimento psiquiátrico. Logo, conforme as síndromes secundárias apresentadas, os indivíduos são encaminhados para as respectivas especialidades: endócrinas, neuroendócrinas, renais, cardiovasculares, imunológicas e alérgicas do HC/FMUSP ou do SUS.

Consultas anuais: avaliações sistemáticas em relação à evolução clínica da SNPM e síndromes associadas .

- Sintomatologia: o aparecimento ou intensificação de manifestações psicóticas e neurológicas e respostas aos tratamentos sintomáticos.

- Alterações dos exames de TNP, CV e de imagem do SNC.

- Avalia-se o surgimento e complicações das síndromes secundárias relacionadas às doenças endócrinas, particularmente tireoidiopatias, imunodeficiências, hipertensão arterial e nefropatias.

O SSO fornece, após exames, relatórios para fins de diagnóstico e de avaliação da evolução clínica dos casos. Os relatórios tem sido importantes para que os pacientes obtenham seus direitos sociais estabelecidos pela legislação brasileira.

III. Pesquisas

O PAM/SSO-HC pode colaborar para o avanço do conhecimento da intoxicação pelo Hg por meio de estudos epidemiológicos descritivos e do tipo caso-controle, a partir dos sintomas e sinais apresentados por mais de 300 pacientes com SNPM registrados no SSO. Estes estudos podem aprofundar a compreensão das características dos quadros clínicos

e a evolução das síndromes neuropsiquiátricas e secundárias decorrentes do mercurialismo. As informações clínico-ocupacionais, os exames de avaliação do SNC e das síndromes associadas estão sendo transferidas para um Banco de Dados e serão analisadas pelos especialistas em toxicologia ocupacional e pelos respectivos especialistas como objetivo de futuras publicações.

No momento estão previstos dois estudos do tipo caso-controle de alunas de cursos de pós-graduação do Instituto de Psicologia USP e FMUSP: A) “Avaliação Neuropsicológica e Estudo de Funções Visuais em Indivíduos Intoxicados por Vapor de Mercúrio” objeto de tese de mestrado da psicóloga Ana Luiza Vidal Milioni, sob orientação da Profa Dora Fix Ventura, do Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da USP. B) O estudo “Mercurialismo Metálico Crônico e distúrbios tireoidiano” que tem como objetivo investigar efeitos tóxicos do mercúrio na função tireoidiana, alteração de hormônios livres e selenoenzimas. Esta pesquisa será desenvolvida pela Dra. Marcia Mello, médica do SSO/ICHC, sob orientação do Prof. Luiz Pereira, dentro do programa de pós-graduação do Departamento de Patologia.

Na bibliografia abaixo assinalamos com asterisco alguns trabalhos publicados tendo como referência os pacientes com mercurialismo registrados no PAM.

IV. Intercâmbio com outros órgãos Públicos

A divulgação do protocolo SSO/ICHC, que estabelece critérios de diagnóstico de mercurialismo, é importante para evitar a sub-notificação da doença. Seu reconhecimento colaborará para a adoção de condutas médicas adequadas por parte da rede de saúde: SUS, SESMT, INSS e Convênios Médicos. Tem sido discutido um programa de parceria no atendimento dos pacientes, treinamento de pessoal e desenvolvimento de estudos sobre o mercurialismo metálico entre PAM/HCFMUSP e a Secretária do Estado de São Paulo, através dos Centros de Referência Sanitária (CVS) e Centros de Referência de Saúde do Trabalhador (CRST) .

V. Bibliografia

ACGIH- American Conference of Governmental Industrial Hygienists. Threshold Limit Value (TLV)(2001)

ATSDR- Toxicological profile for mercury US Department of health and human services Public Health Service Agency for Toxic Substances and Disease Registry March 1999 http://www.atsdr.cdc.gov/toxprofiles/tp46-c8.pdf

Abbaslou P& Zaman T A children with elemental mercury poisoning and unusual brain MRI findings. Toxicol (Phila) ;44(1) 85-88 2006

Adams C, Ziegler D, Lin J. Mercury intoxication simulating amyotrophic lateral sclerosis. JAMA1983. 250:642-643.

(*) Barboni MTS, Costa MF, Moura ALA, Feitosa-Santana C, Gualtieri M, Lago M, Faria MAM, SilveiraLCL,Ventura DF. Visual field losses in workers exposed to mercury vapor. Environmental Research 107 (2008) 124–131

Barregard L, Lindstedt G, Schutz A, et al..Endocrine function in mercury exposed chloralkali workers. Occup Environ Med 1994 51(8):536-540.

Bencko V, Wagner V, Wagnerova M, et al. Immunological profiles in workers occupationally exposed to inorganic mercury. J Hyg Epidemiol Microbiol Immunol 1990.34(1):9-15. Benz MR, Lee SH, Kellner L, Döhlemann C, Berweck S. Hyperintense lesions in brain MRI after exposure to a mercuric chloride-containing skin whitening cream. Eur J Pediatr. 2011 170(6):747-50. doi: 10.1007/s00431-010-1333-1.

Berlin M and JohanssonJ.G. Mercury in the mouse brain after inhalation of mercury vapour and after intravenous injection of mercuric chloride. Nature 1964 204:85–86.

Bertossi M, Girolamo F, Errede M, Virgintino D, Elia G, Ambrosi L, Roncali L. Effects of methylmercury on the microvasculature of the developing brain. Neurotoxicology. 2004 Sep;25(5):849-57.

Bluhm RE, Breyer JA, Bobbitt RG, Welch LW, Wood AJJ, Bonfiglio JF, Sarzen C, Heath AJ, Branch RA. Elemental mercury vapour toxicity, treatment, and prognosis after acute, intensive exposure in chloralkali plant workers. Part I: History, neuropsychological findings and chelator effects. Hum Exp Toxicol. 1992a;11(3):201-10

Brown IA. Chronic mercurialism: A cause of the clinical syndrome of amyotrophic lateral sclerosis. Arch Neurol Psychiatry 1954.72:674-681.

Cassano GB, Viola PL, Ghetti B, et al. The distribution of inhaled mercury (Hg203) vapors in the brain of rats and mice. J Neuropathol Exp Neurol 1969 28:308-320

Clarkson TW, Magos L The Toxicology of Mercury and Its Chemical Compounds Critical Reviews Toxicology. 2006 36:609–662 Colosio C, Barcellini W, Corsini E. Immunotoxicology in occupational and environmental medicine: prospectives, limitations, and research objectives. Med Lav. 1998 May-Jun;89(3):203-25.

Echeverria D, Heyer NJ, Martin MD, et al. Behavioral effects of low-level exposure to elemental Hg among dentists. Neurotoxicol Teratol 1995 17(2):161-8.

Ekino S, Susa M, Nimomiya T, et al: Minamata disease revisited: an update on the acute and chronic manifestations of methyl mercury poisoning. J Neurol Sci 2007; 262:131–144

Ernst E, Lauritsen JG. Effect of organic and inorganic mercury on human sperm motility. Pharmacol Toxicol 1991.69(6):440-444. Eto K. Minamata disease. Neuropathology. 2000 Sep;20 Suppl:S14- Eto K, Takeuchi T. A pathological study of prolonged cases of Minamata disease. With particular reference to 83 autopsy cases.1: Acta Pathol Jpn. 1978 Jul;28(4):565-84.

Eto K, Tazikawa Y, Akagi H, Haraguchi K, Asano S, Takahata N, Jokunaga H. Differencial diagnosis between organic and inorganic mercury poisoning in human cases: the pathologic point of view. Toxicol Pathol 1999;27:664-71.

gala GE, Wigg CL. Psychiatric Manifestation of mercury poisoning:Case study. J Am Acad Child Adolesc Psychiatry 1992; 31(2): 306-11

Faria MAM. Mercuralismo metálico crônico ocupacional. Rev Saúde Públ 2003; 37(1) 116-27

Faria MAM, Barros MT, Silva CP Chronic mercury poisoning e imunoglobulinas. Anais do 27º. Congresso Internacional de Saúde no Trabalho, Foz do Iguaçu, Fev. 2003.

Faria MAM, Zachi EC, Fix Ventura DF, Correia MM, Faiman CJS; Mastrogiacomo V .Testes neuropsicológicosna aferição dos efeitos do mercurialismo metalico ocupacional :Revisão .Em fase encaminhamento para publicação 2014 Fernandes Azevedo B, Barros Furieri L, Peçanha FM, Wiggers GA, et al. Toxic effects of mercury on the cardiovascular and central nervous systems. Braz J Med Biol Res. 2011 Sep;44(9):939-46 Fitsanakis VA, Zhang N, Avison MJ, Gore JC, Aschner JL, Aschner M. The use of magnetic resonance imaging (MRI) in the study of manganese neurotoxicity. Neurotoxicology. 2006 Harada M. Minamata disease: methylmercury poisoning in Japan caused by environmental pollution. Crit Rev Toxicol. 1995;25(1):1-24.

HargreavesRJ,EvansJG,Jonota I,Magos L et al .Persistent mercury in nerve cells 16 years after metallic mercury poisoning.Neuropathol App Neurobiol.198814:433-452

Kark RAP. Clinical and neurochemical aspects of inorganic mercury intoxication. In: Vinken PJ, Bruyn GW, de Wolff FA, editors. Intoxications of the nervous system: Handbook of Clinical Neurology, 1994 . Chap. 25 Part I. Amsterdan:Elsevier Science

Kim YKJ, MD, Yun YH, et al. Occupational Neurologic Disorders in Korea. J Clin Neurol. 2010 June; 6(2): 64–72. Kobal AB, Horvat M, Prezelj M, Briski AS, Krsnik M, Dizdarevic T, Mazej D, Falnoga I, Stibilj V, Arneric N, Kobal D, Osredkar J. The impact of long-term past exposure to elemental mercury on antioxidative capacity and lipid peroxidation in mercury miners. J Trace Elem Med Biol. 2004;17(4):261-74 Laks DR. Luteinizing hormone provides a causal mechanism for mercury associated disease. Med Hypotheses. 2010 Apr;74(4):698-701. doi: 10.1016/j.mehy.2009.10.036

Letz R, Gerr F, Cragle D, Green RC, Watkins J, Fidler AT. Residual neurologic deficits 30 years after occupational exposure to elemental mercury. Neurotoxicology. 2000;21(4):459-74.

Lucchini R, Calza S, Camerino D, Carta P, Decarli A, Parrinello G, et al. Application of a latent variable model for a multicenter study on early effects due to mercury exposure. Neurotoxicology. 2003;24(4-5):605-16. DOI: 10.1016/S0161-813X(03)00048-2.

Lucchini R, Cortesi I, Facco P, Benedetti L, Camerino D, Carta P, Urbano ML,Zaccheo A, Alessio L. [Neurotoxic effect of exposure to low doses of mercury] Med Lav. 2002 May-Jun;93(3): 202 Marek K, Wocka-Marek T. Nephrotoxicity of metallic mercury in conditions of occupational exposure. Med Pr. 1994;45(6):537-45.

Mendola P, Selevan SG, Gutter S, Rice D. Environmental factors associated with a spectrum of neurodevelopmental deficits. 70: Ment Retard Dev Disabil Res Rev. 2002;8(3):188-97.

Moller-Madson B Localization of mercury in CNS of the rat.V. Inhalation exposure to metallic mercury. Arch Toxicol. 1992 66 :79-89

MTB Ministério do Trabalho do Brasil.Norma Regulamentadora NRº15 .Atividades e Operações Insalubres. [acesso em 25 jan 2008]. Disponível em: http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/05/mtb/15.htm.

Neal PA , Jones RR.Chronic mercurialism in the hatters´fur-cutting industry JAMA 1938; 110:337-343

NIOSH -National Institute for Occupational Safety and Health. Recommended Exposure Limit (REL) 1995

O'Carroll RE, Masterton G, Dougall N, Ebmeier KP, Goodwin GM. The neuropsychiatric sequelae of mercury

poisoning. The Mad Hatter's disease revisited. Br J Psychiatry. 1995 Jul;167(1):95-8.

Opitz H, Schweinsberg F et al. Demonstration of mercury in the human brain and other organs 17 years after metallic mercury exposure. Clinical Neuropathology 1996 15 ;139-144 Ohlson CG, Hogstedt C. Parkinson's disease and occupational exposure to organic solvents, agricultural chemicals and mercury--a case-referent study. Scand J Work Environ Health. 1981 Dec;7(4):252-6.

Pelletier L,Pasquier R, RossertJ et al. Autoreactive T cells in mercury-induced autoimmunity.Ability to induce the autoimmune disease. J Immunol 1988, 140:750-754 Pigatto PD, Minoia C, Brambilla L, Ferrucci S, Guzzi G. Auto-antibodies to nuclear and nucleolar antigen and long-term exposure to inorganic mercury. Environ Res. 2010 110(4):345-54. Placidi GF, Dell'Osso L, Viola PL, Bertelli A. Distribution of inhaled mercury (203Hg) in various organs Int J Tissue React. 1983;5(2):193-200. Pranjić N, Karamehić J, Ascerić M. Chronic occupational mercury exposure in renal damage in workers in the chlorine-alkali electrolysis industry. Med Arh. 2003;57(4):247-9.

Rossini SRG, Cordeiro Q Jr, Faria M A M, Fraguas R Jr. Depression, insomnia, and memory loss in a patient with chronic intoxication by Inorganic mercury.110: J Neuropsychiatry Clin Neurosci. 2003;15(4):457-8. Rooney JP. The role of thiols, dithiols, nutritional factors and interacting ligands in the toxicology of mercury.Toxicology. 2007 Sep 5;238(2-3):216.

Sanfeliu C, Sebastia J, Cristofol R, Rodriguez-Farre E. Neurotoxicity of organomercurial compounds Neurotoxicology. 2007 Mar;28(2):284-9. Sears ME. Chelation: harnessing and enhancing heavy metal detoxification--a review. ScientificWorldJournal. 2013 Apr 18;2013:219840. doi: 10.1155/2013/219840. Silbergeld EK, Silva IA, Nyland JF. Mercury and autoimmunity: implications for occupational and environmental health. Toxicol Appl Pharmacol. 2005 1;207suppl):282-92.

Shin YC, Kim E, Cheong HK, Cho S, et al . High signal intensity on magnetic resonance imaging as a predictor of neurobehavioral performance of workers exposed to manganese. NeuroToxicology 28 (2007) 257–262 Stern AH. A review of the studies of the cardiovascular health effects of methylmercury with consideration of their suitability for risk assessment. Environ Res. 2005 May;98(1):133-42

Taber KH,Hurley RA. Mercury exposure: effects across the lifespan. J Neuropsy Clin Neurosc.2008:20(40)389-340

Takahata N, Hayashi H, Watanabe B, et al. Accumulation of mercury in the brains of two autopsy cases with chronic inorganic mercury poisoning. Folia Psychiatr Neurol Jpn 1970 24:59-69.

Takeuchi T, Eto K, Tokunaga H. Mercury level and histochemical distribution in a human brain with Minamata disease following a long-term clinical course of 26 years. Neurotoxicology 1989 10(4):651-658.

Uchino M, Tanaka Y, Ando Y, Yonehara T, Hara A, Mishima I, Okajima T, Ando M. Neurologic features of chronic minamata disease (organic mercury poisoning) and incidence of complications with aging.12: J Environ Sci Health B. 1995 Sep;30(5):699-715. Via CS, Nguyen P, Niculescu F, Papadimitriou J, Hoover D, Silbergeld EK. Low-dose exposure to inorganic mercury accelerates disease and mortality in acquired murine lupus. Environ Health Perspect. 2003 Aug;111(10):1273-7. Vassallo DV, Simões MR, Furieri LB, Fioresi M, Fiorim J, Almeida EA, Angeli JK, Wiggers GA, Peçanha FM, Salaices M. Toxic effects of mercury, lead and gadolinium on vascular reactivity. Braz J Med Biol Res. 2011 Sep;44(9):939-46.

Warfvinge K. Mercury distribution in the mouse brain after mercury vapour exposure. Int J Exp Path 1985 76:29-35.

WHO. Inorganic Mercury. Geneva; 1991. (Environmental Health Criteria, 118)

WHO. Elemental Mercury and Inorganic Mercury Compounds. Human Health Aspects. IPCS International Programme on chemical safely Nº 50WHO Genebre 2003

Wirth JJ, Mijal RS. Adverse effects of low level heavy metal exposure on male reproductive function. Syst Biol Reprod Med. 2010 Apr;56(2):147-67. doi: 10.3109/19396360903582216.

Zavariz C, Glina DMR. Efeitos da exposição ocupacional ao mercúrio em trabalhadores de uma indústria de lâmpadas Elétricas localizada em santo Amaro, São Paulo, Brasil. Cad Saúde Públ, Rio de Janeiro1993 9(2):117-129

(*) Zachi EC, Taub A, Faria MAM, Ventura DF. Neuropsychological alterations in mercury intoxication persist several years after exposure. Dementia & Neuropsychologia. 2008;2(2):91-95.

(*) Zachi1 EC, Ventura DF, Faria MAM, Taub A Neuropsychological dysfunction relatedto earlier occupational exposure to mercury vapor. Brazilian J Med Bio Res (2007) 40: 425-433.

Ler 379 vezes

aeimm 2

A A.E.I.M.M. é uma entidade social, cultural e beneficente que tem como objetivo obtenção da melhoria das condições de saúde e de vida dos trabalhadores com mercuríalismo, doença decorrente da exposição e intoxicação pelo mercúrio (Hg).

contatos

Novidades